Ar em movimento.
Atualizado: 2 de set.
“O ar é o elemento da imaginação dinâmica e do ar em movimento.” (Bachelard, 1943)
Os orixás são a representação das energias, forças oriundas da natureza.
Os elementais da natureza são espíritos ou energias que guardam e cuidam dos quatro elementos fundamentais: Terra, Água, Fogo e Ar.
Iansã é a orixá que rege o elemento ar em movimento. É associada aos ventos, às tempestades, aos raios e aos trovões. Assim, deve ser associada à voz, que vem através do ar da respiração.
Falar de Iansã é falar do movimento do ar, é falar da própria respiração que nos mantém vivos. Sem o movimento do ar não há respiração. Sem respiração não há vida. Iansã vive no primeiro respirar do bebê ao nascer. A respiração é fundamental em tudo. É a respiração que dá toda a conexão com o espiritual, com o divino.

Assim, a relação entre Iansã, a respiração e a voz, traduz de forma direta a própria essência do orixá – é o sopro divino em movimento, ou seja, a própria dinâmica da respiração e da vida.
Isso me leva a fazer uma associação com a minha profissão. Sou fonoaudióloga, trabalhando sempre nas áreas de voz, fala e linguagem. Seguindo a linha: Iansã – ar – respiração – voz, vou priorizar algumas considerações.
A respiração em sua função vital é um ato reflexo e inconsciente; em sua função fônica é a base fundamental da palavra, da fala, pois o som depende de uma força motora que é o ar expelido pelos pulmões. É pela fala que as pessoas se comunicam, que falam das suas necessidades, dos seus sentimentos (bons ou maus!), dos seus medos, dos seus afetos...
O domínio do fluxo do ar expirado é importantíssimo para quem usa a voz profissionalmente – professores, locutores, atores, cantores, por exemplo. Esse domínio do ar expirado é fundamental para a projeção da voz, indispensável para os profissionais citados. Eles precisam ter consciência desse processo, uma vez que o uso correto da voz impede o estresse das pregas vocais ou mesmo de prejuízos mais sérios ainda.
Finalizando, a respiração ideal - principalmente para os profissionais citados acima – é a respiração costodiafragmática, que expande a base dos pulmões. É a forma de respirar que regula a fonação; é aconselhável porque proporciona maior provisão de ar com menor esforço.
Para trabalhar a respiração costodiafragmática, deixo aqui um exercício: apertem as costelas com as duas mãos. Inspirem de modo que o ar inspirado faça as costelas se expandirem. Atenção para os ombros não subirem. Sopre o ar pela boca lentamente. Façam por algumas vezes, percebendo como o diafragma está trabalhando. Mais ar, menos esforço!
Obrigada aos leitores!
Tania Cozzi (Fonoaudióloga. Psicomotricista. Mestrado em Educação. Especialista em Linguagem e Motricidade Oral.)



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